quarta-feira, 6 de março de 2013

Livro Primeiro da Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda - CAP. 2



Os Postulados da Economia Clássica

Neste capítulo Keynes apresenta a economia clássica do emprego (lembrando que para Keynes os neoclássicos marginalistas são tidos como clássicos também):

No primeiro postuladoO salário é igual ao produto marginal do trabalho (p.18). Veja o gráfico da teoria dos preços e compare abaixo com a idéia clássica do emprego:


Teoria Clássica do Emprego (Arthur Pigou - 1933) [foi quem sucedeu Marshall na cadeira de Economia Política]



Os Clássicos tiram sua teoria do emprego da teoria dos preços.


No segundo postulado: A utilidade do salário, quando se empregada determinado volume de trabalho, é igual a desutilidade marginal desse mesmo volume de emprego (p.18), a Oferta de mão de obra esta relacionada inversamente com a sua desutilidade, isto é, "qualquer motivo que induza um homem ou grupo de homens a recusar trabalho". (o famoso trade off  trabalho/lazer.)

Dessa forma, o salário deve compensar a perda do lazer: a utilidade do salário é igual a desutilidade marginal do trabalho (DMgT).


 Salário ≥  DMgT


Nota-se que a demanda de mão de obra depende do Valor do Produto Marginal do Trabalho (Preço x Produção de 1 trabalhador), isto é, a demanda acontece até o ponto onde o salário é igual ou menor ao PMgT.



Crítica de Keynes 

Segundo Keynes a teoria clássica do emprego é apenas uma abstração! Já que admite apenas os desempregos friccional e voluntário. (o pressuposto do pleno emprego não admite desemprego involuntário).

Os clássicos não analisam o desemprego involuntário (Keynes cita que o Professor Pigou admite o desemprego involuntário mas não usa em seu argumento para simplificação):


A escola clássica concilia este fenômeno com o seu segundo postulado,
argumentando que, se a procura de mão-de-obra ao salário nominal vigente
se acha satisfeita antes de estarem empregadas todas as pessoas desejosas
de trabalhar em troca dele, isso se deve a um acordo declarado ou tácito entre os
operários de não trabalharem por menos, e que, se todos eles admitissem uma redução dos
salários nominais, maior seria o volume de emprego atendido." (p.19)


Desse modo, os classicos colocam que embora tal desemprego seja aparentemente involuntário, deveria-se incluí-lo na categoria de desemprego "voluntário", em virtude dos efeitos dos contratos coletivos de trabalho, etc. 

Keynes coloca que este argumento não está claramente respaldado pelos fatos e que esta hipótese de "negociações" não é válida. As duas objeções levantadas são:


a) uma redução dos salários reais, devida a uma alta de preços, não acompanhada de uma elevação dos salários nominais, não determina, por via de regra, uma diminuição da oferta de mão de obra disponível à base do salário corrente;
b) Rigidez salarial ( salário nominal);

Para keynes, "existem empregados involuntários quando, no caso de uma ligeira elevação de preços dos bens de consumo dos assalariados relativamente aos salários nominais, tanto a oferta agregada de mão-de-obra disposta a trabalhar pelo salário nominal corrente quanto a procura agregada da mesma ao dito salário são maiores que o volume de emprego existente."



Salário Real e Salário Nominal 

No que tange aos salários, Keynes observa que o que importanta para o trabalhador é o salário nominal e o salário real relativo ao invés dos salários reais. E que, ambos variam iguais no caso de uma variação que afeta apenas um gênero de indústria mas, no caso do nível geral de salários, estes variam em sentido oposto:


                               "Isso se deve ao fato que, em um curto período, a baixa dos salários nominais e a elevação dos salários reais constituem, por motivos diferentes, fenômenos ligados à diminuição do emprego, pois, embora o trabalhador se mostre mais disposto a aceitar reduções do salário quando o emprego declina, os salários reais tendem, inevitavelmente, a crescer nas mesmas circunstâncias, em virtude do maior retorno marginal de determinado estoque de capital quando a produção diminui."



A lei dos mercados de Say

 À partir das fls. 25 Keynes no Cap. 2 Keynes lança dois grandes problemas doutrinários:

a) "A oferta cria a sua própria demanda" (1803 - Tratado de Economia Política)

b) Investimento = Poupança




"Como corolário desta mesma doutrina, julgou-se que qualquer ato individual de abstenção de consumir leva e equivale a um investimento na produção de riqueza sob a forma de capital resultante do trabalho e das mercadorias assim liberadas da necessidade de consumo" Keynes ilustra o ponto de vista tradicional com uma citação da obra Pure Theory of Domestic Values de Marshall. (especificamente a p. 34)


A crítica de Keynes é que o Investimento não é igual à Poupança e que, as familias podem poupar parte da poupança com outros objetivos que não seja o consumo próximo.






Livro Primeiro da Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda - CAPÍTULO 01


Assuntos abordados nesta postagem:

1. A lei de Say e a teoria do desemprego de Pigou;
2. O desemprego involuntário;
3. Oferta e demanda agregada;
4. A demanda efetiva e o volume da produção e do emprego.

Bibliografia: Keynes (1985, Caps. 1,2,3); Davidson (1999); Asimakopulos (1982); Chick (1983); Dillard (1989, Caps. I, II e III); Prebish (1991, Cap. I) Skidelsky (1999, Cap. 4); Harcourt (1992).


CAP. 1 - A TEORIA GERAL


O Capítulo 01 do livro é bem curto e começa relatando sobre sua ênfase ao Estudo "Geral" que objetiva contrastar com a natureza dos argumentos e conclusões da teoria clássica (Para Keynes Clássicos  e Neoclássicos Marginalistas).

Sumariando, Keynes dá a ideia de que se aplicarmos os postulados marginalistas para a economia como um todo, teremos algo "desastroso". (Pleno Emprego, Não-intervenção, etc.): "[...] os ensinamentos daquela teoria seriam ilusórios e desastrosos se tentássemos aplicar suas conclusões aos fatos da experiência." (p. 15)





 

     

terça-feira, 5 de março de 2013

A Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda - INTRODUÇÃO

Continuando nossa prosa sobre a obra prima de Keynes é válido lembrar aqui ao leitor que este, segundo a apresentação do livro pelo Professor Adroaldo Moura da Silva, deve seguir o conselho de Samuelson sobre  a Teoria Geral:

" É um livro mal escrito e mal organizado ´[...] Não serve para uso em classe. É arrogante, mal educado, polêmico e não muito generoso nos agradecimentos. É cheio de falácias e confusões: desemprego involuntário, unidades de salário, equivalência da poupança e do investimento, caráter intertemporal do multiplicador, interações da eficiência marginal sobre a taxa de juros, poupança forçada, taxas de juros específicas, e muitos outros [...] depois de entendida a sua análise, se mostra óbvia e ao mesmo tempo nova. Em resumo, é um trabalho de gênio."


PREFÁCIOS


Há quatro prefácios na Teoria Geral da Coleção "Os Economistas":

1. Prefácio Inglês/EUA
2. Prefácio à Edição Alemã
3. Prefácio à Edição Japonesa
4. Prefácio à Edição Francesa




Último parágrafo do PREFÁCIO (1): "Foi um esforço muito grande se desprender da teoria marginalista [...] a dificuldade está em se desvencilhar das regras que permeiam nossa mente."

PREFÁCIO JAPONÊS: Keynes diz que a TEORIA GERAL está em Malthus (1820 - Os Princípios da Economia Política - teoria da utilidade) e não  em Ricardo (valor trabalho): " [...] encoraja-me a pensar que um livro que descende de Malthus mais do que Ricardo possa ser recebido com simpatia pelo menos em alguns setores." (p. 7, § 2)


Ainda nos Prefácios:


Keynes faz a divisão entre MICRO E MACROECONOMIA - o seu livro estuda o sistema econômico como um todo (Renda Global, Produto Global, Emprego Global). Segundo este, não pode-se passar da análise Micro para a análise Macro. Sendo a poupança (S) má para a sociedade como um todo.



↑ S = ↓ Produção ↓ Emprego

↑ S =  ↓ Consumo



Por construção, o Investimento (I) é bom na sociedade:


↑ I =    Produção    Emprego



Keynes não aceita a T.Q.M (Teoria Quantitativa da Moeda): a Qd de Moeda (M) não influencia diretamente nos preços. Em suma, o seu pensamento é o seguinte:



M  influencia I que influencia na Produção que influencia no Emprego que influencia na Oferta e Demanda.



FALANDO UM POUCO MAIS DO LIVRO


TRATA-SE DE UM LIVRO PARA ECONOMISTAS: teórico com pouca aplicação prática!

LIVRO DOMINANTE NA ÉPOCA: O Livro de Marshall

A preocupação fundamental é: EMPREGO E DESEMPREGO. No entanto, quando Keynes mexe no emprego ele mexe em toda a economia, principalmente no juro e na moeda.

Em suma, para o autor, o PROBLEMA DO CAPITALISMO é a poupança: no "agregado" é algo ruim para a economia.

MARSHALL E MILL são considerados autores clássicos.

Junta-se o MUNDO REAL E O MUNDO MONETÁRIO.



OBJETIVO DO LIVRO: 

CAP. 1

"[...] o estudo das forças que determinam a produção e o emprego ..."

CAP. 8

"[...] descobrir o que determina o volume de emprego [...]"


Em suma, parafraseando, o que determina o EMPREGO é a PRODUÇÃO e o que determina a PRODUÇÃO?



Y = C + I + G + E












domingo, 3 de março de 2013

Trajetória intelectual de Keynes até 1936


05/06/1983 Cambridge

 -> Nascimento de Keynes
 -> Nascimento de Schumpeter
 -> Morte de Marx

Mãe - Prefeita
Pai - Bibliotecário e escritor (livro sobre metodologia), amigo de Alfred Marshall autor do livro "Principles of Economics" que veio a ser dominante no marginalismo, mesmo escrito 20 anos após o início do movimento.

Teoria Marginalista (1970):
·  O inglês William Stanley Jevons (1835-1882), que escreveu, Theory of Political Economy (1871). Jevons, embora de modo diverso, recorreu também à matemática, não de forma tão contundente como seu contemporâneo Walras;
·  O austríaco Carl Menger (1840-1921), autor de Die Grundsätze der Volkswirstschaltslehre1 (1871). Menger apresenta os mesmos princípios marginalistas em uma linguagem comum, deixando de lado a matemática;
·  O francês Léon Walras (1834-1910) que publicou Élements d'Économie Politique Pure (1874). Se preocupou com o Equilíbrio Geral e a interdependência de todo o sistema econômico e apresentou sua visão da economia em termos puramente matemáticos. É um dos precursores da economia matemática que ganhou corpo em nosso século, com Wassily Leontieff e Von Neumann.
John Robson (1840) os chamou-os de NEOCLÁSSICOS.


Livro dominante na época (1848) - "Princípios de Economia Política" de John Stuart Mill. 



1897 – Estudou em ETON sendo que sua melhor matéria era matemática

1902 – Kings College – Univ. Cambridge tirou um “triplo A” em matemática.

1903 – Tornou-se servidor público (Depto das Índias) e começou a fazer parte do “Bloomsbury Group” do qual faz parte Virgínia Wouff (ver filme “As Horas”)



1909 – Professor do Kings College – Economia Política no lugar de Marshall. Na época dois livros eram obrigatórios para os alunos: “Princípios de Economia” e “A Fábula das Abelhas

1914 – Publicou seu primeiro livro: “Tratado de Probabilidade”

1915 – Começou a trabalhar no Tesouro Inglês
1918 – Conheceu Lydia Lopokova bailarina do balé russo e estrela mundial (sua futura esposa). Planeja ficar “rico” para poder desposá-la.



1919 – “Conferência de Versalhes” em Paris. -> Tratado de paz da Primeira Guerra (Inglaterra- França-EUA-Alemanha). Keynes pede demissão depois da conferência e lança um livro: “Conferências Economicas de Paz” -> Malthus aparece muito no livro; Keynes prevê a Segunda Guerra caso as pressões sobre a Alemanha se efetivassem -> Fica rico e famoso com o livro.



1922 – Vai atrás do seu plano de se aproximar da Bailarina Lydia (que era casada)

1925 – Keynes casa-se com Lydia.

1922-1930 – Neste período ele é Professor de Cambridge e trabalha com corretagem. Começa a divergir sobre da teoria marginalista; escreve 2 artigos e mostra-se contrário ao “padrão-ouro”; fala que o livre mercado não é “bom” para a Inglaterra: “o livre mercado não assegura o emprego.”

1929 (Grande Depressão)  - Outro artigo defendendo obras públicas para reduzir o desemprego (OBS: não era exclusividade de Keynes defender a intervenção)



1930 - "Tratado da Moeda" - separando o mundo real do mundo monetário (nesta época prevalecia a "moeda neutra")
1933 – Londres:  “Conferência Econômica Mundial”: na véspera Keynes publica cinco artigos na esperança de influenciar a conferência.

  •  Na delegação da Argentina (8° economia) estava ninguém menos que Raul Prebish
  • A Conferência não resultou em nada, manteve-se o pensamento ortodoxo
  • os EUA estava Roswell  (Plano de obras públicas: New Deal)
  • Na Alemanha estava Ritler e o partido Nasi (Nacional Socialista) ver Livro: “Meus Primeiros Setenta e Seis Anos” de Hjalmar Schacht (Ministro da Economia e presidente do Banco Central) Acabou com a Inflação e queria acabar com o desemprego de 40% na Alemanha (conseguiu em dois anos), o que levou Ritler a ser o homem do ano em 1938 (Revista Times).  É responsável por uma das emboscadas sobre Ritler (ver filme: Operação Valkíria).


1931-1935 – Teoria Geral - Acompanharam as discussões sobre o livro: Richard Kahn, Joan Robinson, Roy Harrod e Ralf Hawtley
1936 – Publicação do Livro
  • Derruba a Teoria Marginalista
  • Surge a Macroeconomia Moderna







Estudo sobre Keynes e a Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda: Inflação e Deflação



Hoje começo a blogar um estudo que considero muito importante e que faço já há algum tempo. No primeiro semestre de 2011 tive o prazer de estudar com o professor Joaquim Miguel Couto a disciplina Tópicos Avançados em Macroeconomia. O qual tinha como parte introdutória, que iniciamos no dia 23/fev na Universidade Estadual de Maringá, os seguintes tópicos:

1.1 Trajetória Intelectual de Keynes
1.2 As convicções teóricas marginalistas
1.3 A hiperinflação alemã
1.4 O início da mudança intelectual
1.5 O "Tratado da Moeda" de 1930
1.6 A Grande Depressão e a Conferência Mundial de 1933
1.7 Os preparativos da "Teoria Geral".

E como uma bibliografia, nesta parte introdutória: Skidelsky (1999, Caps. 1, 2 e 3), Keynes, (1931, 1935, 1977, 2002) Ray (1977), Batista Júnior (1999), Harrod (1961, Caps. 1,2,3 e 4), Robinson (1947), Levy (1977), Dimsdale (1977), Dequech (1999), Amadeo (1992) e Elcock (1977).

Coloco aqui minha opinião aos que gostam de estudar a sociedade que estudar Keynes é fundamental para se entender economia. E, neste comenos, pretendo começar com algumas particularidades e alguns pontos interessantes (nas próximas postagens) sobre a vida do nosso autor:




 



             

sexta-feira, 1 de março de 2013

FICHAMENTO: O QUE É FILOSOFIA?



ARANHA, Maria Lúcia de A. e MARTINS, Maria Helena Pires.  “O que é Filosofia?” In: Filosofando. São Paulo: Moderna, 2a ed. 1993. (p. 71-78).


P. 71-72 Parag. 3-7 Introdução: “[...] Sócrates interpelava os transeuntes e dizia-se ignorante, fazia perguntas aos que julgava entender de um determinado assunto. Coloca o interlocutor em tal situação que não havia saída senão reconhecer sua própria ignorância [...]”.

“[...] afinal, acusado de corromper a mocidade [...] Sócrates foi condenado a morte [...] Na prisão o mestre discutia com os discípulos questões sobre a imortalidade da alma [...]”

“[...] (matamos) a filosofia quando a tornamos pensamento dogmático e discurso do poder ou ainda, quando cinicamente reabilitamos Sócrates morto, já que então se tornou inofensivo.”

P. 72 Parag. 8-11 A Atitude Filosófica: “Etimologicamente (Fhilos-sophia) =  amor à sabedoria [...] É bom observar que a própria etimologia não é puro logos, pura razão: ela é a procura amorosa da verdade”

“[...] A admiração é a condição de onde deriva a capacidade de problematizar [...] isto significa que a filosofia é sobretudo uma atitude, um pensar permanente  [...]”

“[...] a própria filosofia inicia na caminhada a partir dos problemas da existência, mas precisa se afastar deles para melhor compreendê-los, retornando depois a fim de dar subsídios para as mudanças.”

P. 72-73 Parag. 12-13 A Filosofia e a ciência: “No começo, a ciência estava ligada à filosofia, sendo o filósofo o sábio que refletia sobre os setores da indagação humana [...]”

Parag. 1-10 “A partir do século XVII, a revolução metodológica iniciada por Galileu promove a autonomia da ciência e o seu desligamento da filosofia [...] Com a fragmentação do saber [...] além do aperfeiçoamento do método científico, fundado sobretudo na experimentação e matematização.”

“[...] Se a ciência tende cada vez mais para a especialização, a filosofia, no sentido inverso, quer superar a fragmentação do real, para que o homem seja resgatado na sua integridade e não sucumba à alienação do saber parcelado [...]”

“A filosofia ainda se distingue da ciência pelo modo como aborda o seu objetivo: em todos os setores do conhecimento e da ação [...]”

P. 73 Parag. 11 O processo de filosofar: “ [...] Na medida que somos seres racionais e sensíveis, estamos sempre dando sentido as coisas. Ao “filosofar” espontâneo do homem comum, costumamos chamar de filosofia de vida [...]”

P. 74 Parag. 6-13 A filosofia propriamente dita: “ [...] A filosofia propriamente dita tem condições de surgir no momento em que pensar é posto em causa, tornando-se objeto de reflexão [...]”

“Refletir é retomar o próprio pensamento, pensar o já pensado, voltar para si mesmo e colocar em questão o que já se conhece [...]”

“[...] A reflexão filosófica é radical (no sentido figurado: fundamento, base), rigorosa (leva as conclusões até as últimas bases) e de conjunto (a filosofia é globalizante) [...]”

P. 75 Parag. 4-13 Qual é a “utilidade” da filosofia?: “ [...] está no fato de que, por meio da reflexão, a filosofia permite ao homem ter mais de uma dimensão, além da dada pelo agir imediato no qual o “homem prático” se encontra mergulhado [...]”

“Filosofar sempre se confronta com o poder, e sua investigação não fica alheia a ética e a política [...]”

“[...] a filosofia é crítica da ideologia, enquanto forma ilusória de conhecimento que visa a manutenção de privilégios [...]”

P. 76 Parag. 3-5 Filosofia: nem dogmatismo, nem ceticismo: “ [...] ceticismo é uma posição filosófica que conclui pela impossibilidade do conhecimento [...] recusa a formular qualquer conclusão [...]”

“[...] dogmatismo, segundo o qual o filósofo se considera de posse de certezas e de verdades absolutas e indubitáveis [...].”

“A filosofia é movimento, pois o mundo é movimento. A certeza é a negação são dois momentos (tese e antítese), que são superados pela síntese, que por sua vez será uma nova tese, e assim por diante [...]”

P. 77 A filosofia do mundo: “A filosofia tem utilidade? Por força da tradição, a filosofia é polidamente respeitada, mas, no fundo, objeto de desprezo. É deixada de lado por inúmeros motivos, mas cabe deixar de lado as questões fundamentais da vida? Bastará ter opiniões e contentar-se com elas? Um instinto vital, ignorado de si mesmo, odeia a filosofia. É melhor não pensar filosoficamente par anão mudar meu estado de espírito, para não alterar minha vida. E surge quem deseja substituir a obsoleta filosofia por algo de novo e totalmente diverso [...] Contudo, a filosofia se vê denunciada como instrumento servil de poderes políticos e outros [...] Muitos políticos veem facilitado seu nefasto trabalho pela ausência da filosofia [...] Massas e funcionários são fáceis de manipular quando não pensam e somente usam uma inteligência de rebanho. A filosofia vê-se rodeada de inimigos, a maioria das quais nem tem consciência dessa condição.
O problema crucial é o seguinte: a filosofia aspira à verdade, que o mundo não quer. No mundo, a verdade está em conflito perpétuo. A filosofia leva esse conflito ao extremo, porém o despe de violência. Eis porque a filosofia não se transforma em credo. Está em contínua pugna consigo mesma. (Karl Jaspers, Introdução ao pensamento filosófico, p. 138).”

P. 78 Ciência e missão de Sócrates: “Indo ao oráculo, perguntei-os se existia alguém mais sábio do que eu. O oráculo, por sua vez, negou que tal existisse. Mesmo sabendo que era impossível o oráculo mentir, titubeei em aceitar sua afirmação, e decidi fazer umas investigações. Fui atrás de quem eu achava que fosse sábio, mas tirando em provas não encontrei ninguém mais sábio do que eu, apenas achei inimizades daqueles que achavam ser sábios e de quem andava com eles.
            Mesmo com isso não parei, mesmo tornando-se odiado. Porque parecia importante dar a máxima importância ao serviço de deus. Teria que averiguar todos que passavam por senhores de algum saber.
            Além disso, os moços que espontaneamente me acompanham – e são os que dispõe de mais tempo, os das famílias ricas, sentem prazer em ouvir o exame dos homens, chegam a imitar-me muitas vezes, interrogando os outros, suponho que acharam uma multidão de pessoas que supõe saber alguma coisa, mais sabem pouco, talvez nada. Contudo, os que eles examinam voltam-se contra mim e não contra si mesmo e dizem que existe um tal Sócrates, um grande miserável, que corrompe a mocidade.  (Platão, Defesa de Sócrates. Col. Os Pensadores, São Paulo, Abril Cultural, 1972, p. 14).”


Leandro Moreira da Luz é economista e aluno do Curso de Direito da Faculdade Integrado de Campo Mourão - PARANÁ – período 1/2013.